quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Momento


E as palavras se foram, sem avisos, sem comentários, perdidas no vento...  E um olhar frágil, inesperado,  sussurrou um sorriso terno, que envolvia o corpo, se acostumando a luz, ao toque suave e a lentidão do momento, o vai e vem do vento...

Diana Lestan

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Ser forte...


"Forte é quem consegue dominar a si mesmo, pois não há pior inimigo que aquele que mora dentro da gente."

Rosi Coelho

domingo, 1 de janeiro de 2017

A vida entreaberta...


E todas as vezes que tento fugir de você, me prendo mais e mais em sua teia, uma liberdade que não anseio ter, um tormento prazeroso que me atrai aos seus braços, que me faz estar em suas mãos, uma loucura delirante, algoz do meu prazer, das suas vontades, então, desisto de partir e deixo a porta entreaberta, a vida entreaberta...

Diana Lestan

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Somos assim...


Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. 
Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, 
a ausência de certezas. 
Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. 
Por isso trocam o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.

Fiódor Dostoiévski

sábado, 17 de setembro de 2016

E ainda que doa...


Sentir você aqui, dentro de mim, mesmo longe, é como sentir uma brisa suave tocando o meu rosto e me lembrando que certas coisas ainda valem a pena.
Sentir você aqui, dentro de mim, é viver essa constante contradição, é saber que não posso partir, que não posso simplesmente virar às costas e esquecer, é confessar a minha fraqueza quanto a você.
Te olhar, tocar teu rosto, te beijar, sentir tua respiração, são lembranças que queimam em meu corpo, que povoam a minha mente e que alimentam a minha alma, já um pouco cansada e desacreditada.
Não sei dizer, o que será do dia de amanhã, do depois de amanhã e dos outros que virão, não tenho muitas certezas, as que tenho, caem por terra, quando estou com você, só sei que há esses momentos, que ficamos juntos, que somos só nós dois, que você está comigo e me faz perceber o quanto sou sua, mesmo que depois eu negue, mesmo que depois eu minta para mim mesma, mesmo que depois eu feche os olhos e finja que nada aconteceu, que foi apenas um sonho, mesmo assim, teu toque ainda queima em mim, o calor de tuas mãos na minha pele, o som da tua voz e o meu delírio, mesmo que eu negue, não consigo deixar de desejar, o prazer e a dor de querer estar com você.
E ainda que doa, eu não consigo resistir, mesmo que o desejo machuque, que o meu corpo queime todo, dentro de mim, ainda assim, o meu mundo toma outra forma, cada vez que estou com você... E é quando você vem, me toma em teus braços, me envolve, mina todas as minhas resistências, eu me vejo fazer sentido e me perco completamente.
Diana Lestan


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ser em mim...


Ser em mim o fogo, que invade o peito, que encarna a alma, que esbofeteia os sentidos, que acorda e puxa para a vida, como uma declaração de insaciedade, uma chama que queima e não se apaga, que propaga o rastro, como pólvora a procura do pavio.

Ser em mim, esse tempo que clama, em alto e bom som, como um manifesto em praça pública ou um vento impetuoso, que expõe a alma e o corpo em carne viva, que solta e pulsa, que saí bagunçando tudo a sua volta, mudando os sentidos e a direção, revirando tudo do lugar.

Ser em mim o argumento, a súplica, o chamamento, a aceitação do que não se entende e assim me entregando, sem amontoar as inseguranças, não temer as armadilhas que se criam, produzidas na mente, como algozes, capazes de me fincar no chão, de sangrar a terra sob meus pés, de me sugar as forças, as resistências e me fazer cair de joelhos e ao abrir os olhos, me ver rendida, ante a constatação,  de que sou eu, somente eu, capaz de me matar e me reviver a cada passo.

Ser em mim um não disfarce, uma não revolta, um não confinamento, rindo, deixando que a impureza e a ingenuidade, não sejam pecados e que a embriaguez da absolvição, não me traga o peso da santidade, que seja impuro e castro,  que seja a rudeza e que eu não tema o desaninho, o abandono, que o vento venha e sopre entre as minhas narinas, o cheiro de terra molhada, regada com as lágrimas, geradas pela dor de pertencer a alguma coisa, que não se sabe bem, o que é...

Ser em mim a dor estancada, exaustivamente estagnada e depois de ser cansativamente turbilhão, eclodir em mim, vazia, ofegante, trêmula e me jogar rendida a sensação de se estar solta, livre, às cegas e sem pudor, sentir a alma aliviada, agarrada ferozmente a caminhada e não mais ao modo de andar, e, mesmo em meio aos atalhos, os mais tenebrosos possíveis, me agarrar a mim mesma e respirar.

Ser em mim, enfim, o toque, o mundo, o ponto de chegada e de partida, uma profunda e arriscada desventura, o silêncio do entardecer ao se descobrir com delicadeza, ser o espanto diante do inevitável, do terrível e correr à ele, acreditando que se pode sobreviver aos mistérios e as negações, por fim me entendendo falível e humana. E, mesmo através da dor, ser a passagem e a viagem, a paisagem para mim mesma, ser árvore alta e frondosa, ser sombra, descanso, refrigério, fluidez, aceitação e  assim ao me despedir, me encontrar...
Diana Lestan